quinta-feira, 8 de outubro de 2020

3º ANO B - LÍNGUA PORTUGUESA

 Olá, meninos e meninas... Espero que estejam todos bem...


A atividade de hoje deverá ser realizada no caderno de PORTFÓLIO e em seguida me enviem pelo whatsApp. (Copiar somente as questões)

Leia o texto abaixo e, a seguir, responda aos itens 1,2,3 e 4 

Falar e escrever

Luiz de Aquino

Ah, língua brasileira! Não haverá, jamais, acordo internacional capaz de propiciar ao linguajar humano uma homogeneidade, seja qual for. Alegam os defensores do famigerado acordo que a escrita, em língua castelhana, é padronizada desde a Terra do Fogo, a fronteira Sul entre o Chile e a Argentina, até as margens do Rio Grande, que separa México e EUA; e também nas ilhas oceânicas em que pisaram os naturais da Espanha.

A escrita será igual; a linguagem, não – afirmam. Sim, isso é perfeitamente compreensível, haja vista termos aprendido que as vogais têm sons abertos – a, e, i, o u –, mas, ultimamente, os coleguinhas jornalistas dos veículos falados referem-se à Avenida Ê – mas até há bem pouco tempo dizíamos Avenida E (é). Sei que há forte influência dos paulistanos e sulistas, presenças marcantes em Goiás desde o início do agronegócio; então, porque eles falam “éstra” no que entendíamos, até recentemente, como “extra” (ê)?

É certo que apreendemos e incorporamos muito do que ouvimos de nordestinos, nortistas, sulistas e cariocas, mas o sotaque de nossa herança passa, obviamente, por transformações interessantes. Está desaparecendo, por exemplo, o modo de falar das nossas cidades auríferas – Vila Boa de Goiás, Jaraguá, Meia-Ponte, Corumbá, Santa Luzia, Bonfim... quem viveu os anos que vivi (estou na segunda metade da minha década de 60) sabe que a musicalidade do falar goiano está muito diferente, agora.

Gosto de ouvir nossas palavras cortadas, abreviadas; de uma, apenas, não gosto da síncope: gueiroba em lugar de guariroba. Na escrita, alguns escribas, de livros e de jornais, substituem a bonita forma pequi por piqui, alegando a pronúncia. Ora: a gente escreve futebol e pronuncia futibol. E há quem banque o chique escrevendo – especialmente como nomes próprios – theatro em lugar de teatro. E falam “tê-atro”, em vez de tiatro, como seria o regular da nossa fala local.

“Vontá dimbora durmi”, é frase comum no falar coloquial. E responder, gritando, a um chamado com o infalível “Tô ino”, em lugar de “Estou indo” é goiano demais da conta! Mas o que mais se nota – e a frase já se espalha por todo o país, especialmente entre os entrevistados na tevê – é “O marrapossível”. É o que respondem políticos e técnicos, delegados e coronéis, professores e populares diante dos repórteres.

Ah, os repórteres! Destes, no rádio e na tevê, ouço sempre e me divirto: “departamento pessoal” em vez de “departamento de pessoal”. O mesmo se dá quando devem dizer “corpo de delito” – o “de” é novamente omitido. E a moda, que saiu das falas dos “da imprensa”, alcança agora advogados e delegados de polícia.Na escrita, porém, essa que foi “padronizada” pelo acordo entre os países de línguas lusófonas, o bicho pega! Mesmo profissionais que deviam saber misturam C com S, não sabem onde entra o Ç e usam X, SS e Ç como se isso fosse tão normal quanto escrever Pollyanna ou Hytallo. Ou Rhackell.

AQUINO, de Luiz.DMRevista. Disponível em: http://arquivo.dm.com.br/texto/gz/112917/ Acesso em: 12/06/2013.

 

 QUESTÃO 1 

No trecho “Na escrita, porém, essa que foi “padronizada” pelo acordo entre os países de línguas lusófonas, o bicho pega!” (último parágrafo), o termo em destaque estabelece uma relação de

(A) explicação.

(B) conclusão.

(C) oposição.

(D) exclusão.

 

  QUESTÃO 2

Na expressão “da imprensa” (último parágrafo), as aspas sugerem um tom

(A) poético.

(B) humorístico.

(C) dramático.

(D) irônico.

 

  QUESTÃO 3

Em qual das alternativas a seguir está expressa uma opinião?

(A) “...a escrita, em língua castelhana, é padronizada desde a Terra do Fogo...”

(B) “... haja vista termos aprendido que as vogais têm sons abertos – a, e, i, o u –...”

(C) “É certo que apreendemos e incorporamos muito do que ouvimos...”

(D) “E há quem banque o chique escrevendo ... theatro em lugar de teatro ”


 QUESTÃO 4

No trecho “mas, ultimamente, os coleguinhas jornalistas...”, o uso do diminutivo na palavra destacada expressa

(A) deboche.

(B) carinho

(C) respeito.

(D) intimidade.