quarta-feira, 27 de maio de 2020

2° ANO A - Projeto de Vida - Prof° Darley - 27\05\20.

Bom dia meninos! Whatsapp 991486689 para envio das atividades. Ao enviar a atividade não esqueça de colocar o nome e a série.

      Dando continuidade aos nossos estudos,vocês devem fazer uma leitura crítica do texto a seguir , e aplicar os valores visto nas últimas aulas para fazer a análise do texto e responder as perguntas.

O mundo dos valores 

  Todo mundo já ouviu falar no "jeitinho brasileiro": poder, não pode, mas sempre dá-se um jeito... Muitos até chegam a achar que se trata de virtude a complacência com a qual as pessoas "fecham os olhos" para certas irregularidades e ainda favorecem outras tantas.
   Certos "jeitinhos" parecem inocentes ou engraçados, e às vezes até são vistos como sinal de vivacidade e esperteza: por exemplo, quando se fura a fila do ônibus ou do cinema. Ou, então, para pegar o filho na escola, que mal há em parar em fila dupla?
  Outros "jeitinhos" não aparecem tão às claras, mas nem por isso são menos tolerados: notas fiscais com valor declarado acima do preço para o comprador levar sua comissão, compras sem emissão de nota fiscal para sonegar impostos, concorrências públicas com "cartas marcadas".
   O que intriga nessa história toda é que as pessoas que estão sempre "dando um jeitinho" sabem, na maioria das vezes, que transgredem padrões de comportamento. Mas raciocinam como se isso fosse absolutamente normal, visto que é comum: Só eu? E os outros? Todo mundo age assim, quem não fizer o mesmo é trouxa; quem não gosta de levar vantagem em tudo?
   No livro “O jeitinho brasileiro: a arte de ser mais igual que os outros”, Lívia Barbosa mostra a ambiguidade do conceito: “[…] o jeitinho é sempre uma forma “especial” de se resolver algum problema ou situação difícil ou proibida; ou uma solução criativa para alguma emergência, seja sob a forma de conciliação, esperteza ou habilidade. Portanto, para que uma determinada situação seja considerada jeito, necessita-se de um acontecimento imprevisto e adverso aos objetivos do indivíduo. Para resolvê-la, é necessária uma maneira especial, isto é, eficiente e rápida, para tratar do ‘problema’.”
  O jeitinho brasileiro pode ser visto tanto como um favor, quanto como uma forma de corrupção. Segundo a autora, ele estaria localizado entre esses dois polos, onde o primeiro é positivo e o outro é negativo, podendo pender mais para um lado ou para o outro. O que caracterizaria o jeito como algo positivo ou negativo depende da situação em que ele ocorre e a relação que existe entre as pessoas envolvidas.
   A psicologia comportamental também auxilia nessa discussão. Ela mostra que nossos comportamentos geram consequências e que, dependendo do resultado que eles trouxerem, esses comportamentos podem cessar ou continuar ocorrendo futuramente. Vamos supor que você vai mal em uma prova e procura a sua professora logo depois da correção para pedir um ponto a mais. Caso ela recuse aumentar a nota e até desconte meio ponto pelo pedido, a chance de você fazer o mesmo pedido para ele em outra ocasião irá diminuir; caso ele aceite, aumentam as chances de você repetir o comportamento.
   A lógica é bem simples: você faz o que faz porque se sente bem assim, você é recompensado por isso. Se você já fez algo errado e foi punido, com certeza pensará bastante antes de repetir a ação. Essa ideia pode nos ajudar a refletir sobre todas as outras ações em nossa vida. Com esse raciocínio, podemos pensar que em uma situação em que alguém furou fila e ninguém se opôs, é possível que a pessoa torne a furar outra fila futuramente. Então podemos pensar contribuem para a situação tanto quem pratica o ato, quanto quem o presencia sem se opor a ele. E é aí, como cidadãos, que podemos pensar em nossas atitudes. Se presenciarmos alguém dando um jeitinho, seja ele positivo ou negativo, qual deve ser nossa ação: recompensar a pessoa ou repreendê-la?

ARANNHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS. Filosofando. Introdução à Filosofia. Ed. Moderna

Com base nas atividades anteriores. Faça uma reflexão considerando se os valores estão de acordo ou não com o denominado “jeitinho brasileiro” exposto no texto que acabaram de ler.
Agora refletir sobre as seguintes situações:

  •  Já percebeu a utilização do “jeitinho brasileiro” em alguma situação? 
  •  Quem foi prejudicado nessa situação e quem se beneficiou?  
  •  Em que situações utilizamos o “jeitinho brasileiro”?  
  • Existe o “jeitinho brasileiro”? É possível modificá-lo?